segunda-feira, 12 de outubro de 2009

SAUDADES

Saudades! Sim.. talvez.. e por que não?...
Se o sonho foi tão alto e forte
Que pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão.
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar
Mais decididamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais saudade andasse presa a mim!

Florbela Espanca, in "Livro de Sóror Saudade"

NASCI PARA SOLDADO

Não nasci para General
Nem Sargento pelo meio
Mas trago vocação no seio
Para ser só Soldado Leal

Quero Obedecer ao Justo
Ao Bom, Puro de Coração
Obedecer a todo o custo
Para o Bem desta Nação!

Sou, sou soldado!
Praça rasa, sem divisa
Por muito ter Amado

Terra ao Sul da Galiza
Que um dia dobra o Cabo
Que toda a tormenta Avisa!